top of page

35

anos da Lemos de Sá galeria

35anosLemosdeSá_2026-5.png
Capítulo 1:
 
O espaço também faz parte da história

Há quase 35 anos, a Lemos de Sá constrói uma trajetória marcada pela singularidade de seus artistas e pela força das ideias que apresenta. Hoje, essa história acontece em um espaço à sua altura.

Projetada pelo arquiteto Allen Roscoe, a casa que abriga a galeria nasceu de um desejo muito particular: criar um lugar capaz de acolher sua coleção de jipes antigos e, ao mesmo tempo, dialogar com a paisagem de Belo Horizonte. Ao pé da Serra do Curral, surgiu uma arquitetura livre de convenções, concebida como um grande volume inspirado na linguagem dos galpões industriais.

Implantada em um terreno de forte inclinação, a construção transforma os desafios da topografia em potência espacial. Grandes vãos, estrutura aparente e uma relação cuidadosa entre luz, matéria e natureza fazem do projeto uma referência da arquitetura mineira contemporânea.

Iniciamos a contagem regressiva para o trigésimo quinto aniversário da Lemos de Sá com uma homenagem ao lugar que hoje recebe seus artistas, obras e visitantes. Um espaço que amplia e reforça a experiência da arte que a Lemos de Sá compartilha há décadas.

Arquivosbase_LemosDeSa-5.png
Cap1_35anosLemosdeSá_2026-13.png
Cap1_35anosLemosdeSá_2026-3.png
Cap1_35anosLemosdeSá_2026-4.png
Cap1_35anosLemosdeSá_2026-9.png
Cap1_35anosLemosdeSá_2026-7.png
Cap1_35anosLemosdeSá_2026-11.png
Cap1_35anosLemosdeSá_2026-10.png
35anosLemosdeSá_2026-2.png
NiverdoAmilcar_35anosLemosdeSá_2026-16.png
Capítulo 2:
 
Artistas inesquecíveis

Celebrar o aniversário de Amilcar de Castro é também revisitar uma história de encontros, confiança e construção conjunta que atravessa décadas da trajetória da Lemos de Sá.

A relação entre Amilcar e a galeria foi marcada por uma parceria duradoura, construída sobre admiração mútua e confiança. Ao longo dos anos, ela se materializou de diversas formas: na realização de exposições, na inserção de suas obras em importantes coleções e na edição de uma das publicações mais relevantes dedicadas ao artista, o livro Amilcar de Castro, pela Editora Takano.

Mais do que uma relação profissional, existia entre Amilcar e a galeria uma relação de confiança, respeito e amizade. Ele foi um parceiro generoso, alguém que acreditou na seriedade do trabalho desenvolvido pela galeria e que contribuiu de forma decisiva para a construção de sua história.

Amilcar sempre foi gigante. Sua capacidade única de transformar o aço em gesto, equilíbrio e poesia permanece tão atual quanto necessária. Sua obra continua a inspirar novas gerações e a reafirmar a força de uma produção artística que atravessa o tempo sem perder potência.

Neste dia, celebramos não apenas seu legado extraordinário, mas também a honra de ter compartilhado parte dessa trajetória. Uma história que seguimos contando com orgulho, impulsionada pela força de uma obra que continua a atravessar gerações.

NiverdoAmilcar_35anosLemosdeSá_2026-11.png
NiverdoAmilcar_35anosLemosdeSá_2026-23.png
NiverdoAmilcar_35anosLemosdeSá_2026-25.png
NiverdoAmilcar_35anosLemosdeSá_2026-17.png
IMG_6492.jpeg
Capítulo 3:
 
O tempo confirma

 

O tempo é um dos poucos critérios incontestáveis da arte. Ele revela quais pesquisas permanecem vivas, quais obras continuam produzindo perguntas e quais artistas seguem ampliando, década após década, o alcance de sua própria linguagem.

Ao longo de seus 35 anos, a Lemos de Sá teve o privilégio de acompanhar muitas dessas trajetórias de perto. Algumas fazem parte da história da galeria há décadas. Outras chegaram mais recentemente. Mas há algo em comum entre elas.

Começamos este capítulo por Célia Euvaldo, uma artista que demonstra em sua obra, talvez como poucas, que a maturidade não encerra uma pesquisa, ela a torna ainda mais profunda.

Os primeiros anos da produção de Célia Euvaldo foram marcados pela experimentação. Ainda na década de 1980, morando em Paris, suas investigações percorriam diferentes linguagens, entre elas instalações com luz néon. Suspensos no espaço, os tubos já traziam a linha para fora do papel e talvez antecipassem uma questão que ganharia cada vez mais importância em sua trajetória: o traço, sua escala e a maneira como ele se relaciona com o espaço.

Aos poucos, o desenho passou a ocupar o centro de sua pesquisa. O traço tornou-se seu principal campo de investigação. Era nele que a artista testava o tempo do gesto, a duração da pincelada, a escala do corpo e a relação entre corpo, tinta e espaço. Durante anos, Célia aprofundou essa pesquisa, permitindo que ela amadurecesse sem pressa.

Celia Euvaldo - Instituto Tomie Ohtake, SP, 2013 - 1 - divulgacao-RomuloFialdini.jpg

Quanto mais investigava o traço, maior era a escala que ele passava a ocupar. O que antes acontecia na dimensão do papel já exigia outro campo de ação. A tinta permitiu que esse traço crescesse e que o desenho avançasse sobre telas cada vez maiores, sem moldura, ocupando diretamente o espaço em que existe. A pintura aparece como consequência desse processo. Não substitui o desenho, nem representa uma mudança de direção. Ela amplia suas possibilidades.

 

É nesse período que Célia consolida a linguagem pela qual passa a ser amplamente reconhecida. O preto avança sobre a tela, mas não elimina o branco. A relação entre as duas cores permanece ativa, e a pintura se constrói justamente nessa tensão. A tinta espalhada com a vassoura preserva as marcas do movimento; quando arrastada pelo rodo, cria áreas lisas. O gesto aparece na matéria e a luz modifica continuamente aquilo que vemos.

 

A observação desse comportamento da tinta abre um novo caminho. A partir de 2005, Célia começa a trabalhar com o branco, repetindo procedimentos que já utilizava nas pinturas pretas, mas encontrando resultados completamente diferentes. Se antes era o reflexo da luz sobre a tinta negra que evidenciava as ranhuras, as áreas lisas e o percurso dos instrumentos, nas pinturas brancas são as sombras formadas pelos relevos que passam a construir essa percepção. Sem o contraste entre preto e branco, a pintura estabelece uma relação ainda mais direta com a luz e com a posição de quem observa, levando adiante uma investigação que, mais uma vez, se transforma a partir da experiência com o próprio trabalho.

LEMOS DE SÁ 

R. Germano Chati, 255 - Mangabeiras

30315-120, Belo Horizonte - MG

Seg à sex - 10h às 17h | Sáb - 10h às 13h

© 2026 LEMOS DE SÁ                         site produzido por LS Galeria

bottom of page